30 outubro 2006

DIA DAS BRUXAS

Francisco – Dr. Gonçalo Já sabe da novidade que corre aqui na comarca?

Gonçalo – Não! tenho ando muito atarefado com um processo absurdo de divórcio.

Francisco – Pois, dizem que a esposa do Sr. Dr. tem um valente par de cornos, e que a outra fulana é um fenómeno.

Gonçalo – Não, não é possível não tenho tempo nem para sair à noite, e todavia somos um casal exemplar e, sempre respeitei a minha mulher.

Francisco – Pois mas o problema não me parece que seja com o Dr., é que o colega que anda com a sua esposa. Tem um novo avião e é boa como o milho.

de repente fez-se silencio na sala e um estampido ecoo prolongadamente

Pummmmm

27 outubro 2006

VERTIGENS

Tenho vertigens
O mundo roda ao contrário
Farto de horário
Esqueço meu fadário
Dou-lhe a volta
Por qualquer lado
Inquieto-me com o quieto
Desassossego-me com o sossego
De alturas poucas loucuras
Tenho vertigens
Não gosto de gaivotas
Nem de aves raras que me rodeiam
tenho vertigens

Matosantos

23 outubro 2006

FRIO RIO

Frio rio
Que corra sobre a ponte
Frio rio
Que leve amor a monte
Frio rio
Que solto chegue ao mar
Frio rio
Que a tua violência não me confronte
Frio rio
Que quero me leve a lado algum
Frio rio

Matosantos

22 outubro 2006

CARTA DE UM MARGINAL

Um dia pego na estrela que trago no coração
e atiro-a à cara de alguém...

Um dia agarro todos os meus sonhos
e todos os meus sorrisos
e deito-os num poço,
já que ninguém os quer...

Um dia junto as pétalas das rosas
e a ternura que trago nas minhas mãos
e ponho-as às costas duma pessoa qualquer...

Um dia apanho o meu olhar mais doce,
o meu búzio mais lindo
e a concha do mar da minha infância
e deixo-as morrer de fome...

Um dia vou dentro da minha alma
tiro-lhe todos os tesouros
e os mais lindos poemas que trago comigo
e rasgo-os diante duma multidão...

Um dia as asas dos meus pássaros
baterão com tanta força
que irei com elas a voar... voar...

Um dia drogo-me por saudade
da minha ternura perdida,
violento-me e violento
uma menina de tranças louras...

Um dia roubo um banco,
compro uma mota
e fujo para o fim do mundo...

Ai! Dou um beijo a qualquer desconhecido.
Aquele beijo que sempre quis dar...

Julio Roberto

20 outubro 2006

INTENSIDADE

Pensei longamente nas pernas,
Como era frágil a cintura.
Percorri lentamente os fundilhos,
Escorreito, deslizei o fecho écler
E a braguilha ficou escancarada.
Um odor intenso invadiu-me as narinas,
O ambiente estava cada vez mais escaldante.
O ferro de engomar estava ligado.


Matosantos

ALMAS QUEIMADAS

Os impropérios caíam como bombas em Bagdad
Milhares de vísceras dilaceravam a bigorna sensitiva
Sonotone sem causa nem efeito,
O sangue escorria peito feito
Em coração dilacerado

Quem me dera ser um bulldozer para cobrir o negro entulho
De mil raivas, odiosas, sem odes nem rimas
Bagdad está em my bad de túnica branca,
Manta negra Antártida coberta de fuligem de almas queimadas
E os impropérios caíam como bombas em Bagdad


Matosantos

19 outubro 2006

PRESERVATIVOS

Sempre tive
peúgas para dormir
sempre tive
calças de pijama
no inverno
calções no verão
ontem esqueci-me,
esqueci-me dos preservativos


Matosantos

QUASE PERFEITO

Adoro a forma preenchida com tacteias
as suaves formas do manequim,
os altos-relevos frontais,
os arredondados píncaros traseiros.

Adoro a forma curta dos teus dedos
a escrita sinusoidal das palavras
o deambular dedilhado das mãos.
É triste não tocares guitarra.


Matosantos

18 outubro 2006

ESPUMA BRANCA

Festejava com exaltação,
A taça de espumante, suave
Vertia-se branca cândida
Corpo abaixo
Copo abaixo
A caixinha estava aberta
Escancarada para o momento final
Num ápice caiu na zona mágica
A máquina de lavar
Começou a funcionar.


Matosantos

16 outubro 2006

VAZIO

Acordo vazio
A dor dilata-me os olhos…
O cansaço da perda cai-me sobre as costas...
A nauseabunda dor da recordação

Ferve nas minhas veias...
A noite já não é tranquila,
Ela: um buraco eterno no silencio convida ao sofrimento,
Alimentando inquietantes pensamentos
E tudo o que enxergo é a tua figura enroscada noutra felicidade.


Matosantos

15 outubro 2006

NIM

A árvore Nim vive entre 100 a 200 anos, crescendo até 30 metros de altura. Ela começa a produzir frutos depois de alguns anos e torna-se totalmente produtiva depois de dez anos. O nome em sânscrito para o Nim significa ‘o curador de todos os males’.

Nim em Portugalês significa governo

13 outubro 2006

ACABOU-SE A CRISE II

Oh mãe, oh mãe hoje é dia do azar ou é dia dos enganos?

Ups!

ACABOU-SE A CRISE I

Yupi, yupi como estou feliz!
Disseram, os do governo que a crise acabou, yupi com estamos todos felizes porque amanhã é fim de semana e, os bancos, as finanças, os credores e outros, vão de fim de semana.
Yupi acabou-se a crise... até segunda feira.

10 outubro 2006

AMOR & SEXO

“O que o amor e o sexo têm em comum é o facto de hoje serem causas individuais, qualquer tentativa de partilhar estas sensações com alguém estará condenada ao fracasso e só fará explodir o ódio.”
Matosantos

08 outubro 2006

MODA LISBOA II

Os espanhóis da Cibeles não querem esqueletos.
E nós?
Ficamos com os ossos?

06 outubro 2006

MODA LISBOA



Pois é!
Os nossos estilistas assim o dizem:
- Nós queremos cabides para passar os nossos trapos.
Espantado observa o indigente:
- Então e as gajas boas?
- E esse filão narcísico-juvenil?

05 outubro 2006

ESPERANÇA VIII


Esta é a verdadeira esperança que nos falta.

Um país com poucas mulheres grávidas é um país desafortunado.

O bem-estar ajuda, constatei em Tenerife que também é Espanha mas, sem “Jardinzes”.

04 outubro 2006

LEISEKA

Tomava um duche rápido quando o sabão e eu escorregamos.

Seu Cabrão, ignorante filho da …. não sabe ler?

Alguém asseverou hitleriante.

A marca do sabão era:

- LEISEKA

03 outubro 2006

02 outubro 2006

UPS DISSE EU

Num tuca truca de ocasião falo eu o patrão e o ladrão sobre o estado da nação, e diz-me o ladrão, homem já entrado de muitas precárias:

- Ó meu senhor, já viu se prendessem todos os ladrões não tínhamos quem nos governasse! Como a minha ladroagem é miúda, de quando em vez lá vou entrando, sou do povo sou fodido.

Ups disse eu.

01 outubro 2006

ESPERANÇA VII

Há uns meses atrás antes de celibatar-me temporaria e involuntariamente apregoava eu a esperança, qual varina em desassossego tentando vender o seu peixe.

Porra estamos num pais de cegos? Será que a alta comandita não enxerga a corrosão da esperança.

Por aqui na minha zona, onde vou atacando na procura de esperanças, são em média diária nos últimos tempos, 50 tugazinhos desesperados quase todos, tentando tirar o seu passaportezeco para a Nova Esperança. É alarmante ou é só uma ligeira sensação de casual desfile de passerelle.